O último tijolo da reconstrução: Chape transforma ano difícil, em temporada histórica

O passo final de um ano marcado pela retomada de um time praticamente do zero foi em direção a Copa Libertadores e coroa o empenho de uma diretoria que lidou com dificuldades e desconfiança

Pergunte a qualquer torcedor da Chapecoense sobre a expectativa e realidade para a temporada 2017. Depois de perder quase todo o time e diretoria na tragédia da Colômbia, tudo que se desejava era um Verdão que permanecesse na elite do futebol brasileiro. O que veio, porém, foi muito além e chega a gerar dúvidas sobre qual é o maior ano da história do clube.

Uma temporada com enredo que tranquilamente poderia estar nas telas do cinema e atrair multidões nas bilheterias. Como a fênix, a Chape se refez das cinzas e ressurgiu em um ano que calejou toda uma cidade, sobretudo dirigentes, jogadores e torcida. O último tijolo na reconstrução do clube foi colocado na tarde do último domingo, na Arena Condá, com a vitória sobre o Coxa e classificação para a Libertadores.

Primeiros passos e o Bi estadual

Reduzida a praticamente nada e juntando os próprios cacos em janeiro, a Chape recusou qualquer possibilidade de ter imunidade no Brasileirão. Taxado arrogante, Plínio David De Nes Filho, o Maninho, e sua diretoria recém formada, precisou engolir em seco, até poder mostrar a lógica de uma escolha que poderia muito bem dar errada. Foi também o presidente que em certo momento disse que não aceitaria uma classificação inferior a 10ª.

– Eu sempre disse que quando o Seu Plínio tomou a decisão, junto com a diretoria, de não aceitar a imunidade, não foi um gesto de arrogância, mas de grandeza, de caráter, de um clube que tem uma torcida dedicada. Havia a convicção de que o clube precisava buscar a reconstrução de forma legítima – disse Rui Costa, diretor executivo.

A história de uma nova Chapecoense, com ares de velha, já que a dedicação em campo permaneceu a exemplo do time perdido na tragédia, passou a ser escrita já no estadual. Sob o comando de Vagner Mancini, o clube conquistou pela primeira vez um bicampeonato catarinense, cinco meses depois do fatídico 29 de novembro de 2016. Era o indício de que a torcida poderia chegar ao fim do ano com a desejada permanência na Série A.