Brasília dá espaço para mulheres apostarem no empreendedorismo

Referência como empresária no DF, Renata La Porta destaca a oportunidade da região para o público feminino mergulhar no universo empresarial. Em 2021, foi registrado a presença de 10,1 milhões de mulheres líderes de um negócio

Em março deste ano, a Agência Brasília destacou que 48% dos microempreendedores individuais (MEI) são mulheres. Além disso, segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), a participação feminina no mercado de trabalho do Distrito Federal cresceu entre 2020 e 2021. Apesar do número expressivo, há intenção de que o percentual seja ainda mais significativo, visto que no início de 2022 foi instituído o Programa Realize. O intuito do projeto, realizado pela Secretaria da Mulher (SMDF), é apostar no autoconhecimento e na autoestima feminina para o início de novos caminhos pessoais e profissionais.

Nessa mesma época, o estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), realizado com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), indicou que, apesar das dificuldades ocasionadas pela pandemia da Covid-19, o número de mulheres líderes de um negócio apresentou sinais de recuperação no último trimestre do ano passado, após o período de retração gerado pelo coronavírus. Sabe-se que o país fechou o quarto trimestre de 2021 com 10,1 milhões de empreendedoras, sendo o mesmo número registrado no último trimestre de 2019.

Em um ano de retomada das atividades de diferentes segmentos no DF, Renata La Porta, Chef, empresária, presidente da Associação de Buffets do Distrito Federal (ABDF) e conselheira na Câmara de Mulheres Empreendedoras da Fecomércio-DF e na Câmara de Turismo do DF, destaca a oportunidade que a cidade oferece às mulheres que desejam se aventurar no universo empreendedor.

A empreendedora conta que a sua história na região candanga começou há 30 anos, quando apostou em uma lanchonete na Universidade de Brasília (UnB) chamada Fattinni. Depois, em 1998, criou o “Renata La Porta Buffet”, empresa premiada e considerada como referência em caterings diferenciados. Alguns anos depois nasceu o La Porta Em Casa, o braço de delivery do grupo. Renata conta que sua receita de sucesso é simples: criatividade, treinamento exaustivo do seu time, ingredientes selecionados a dedo e muito amor colocado em cada evento. O talento com a gastronomia e com a gestão de um negócio começou logo cedo, ainda nos seus cinco anos.

“Sempre gostei de criar, cozinhar, experimentar e fazer montagem de mesa. No meu aniversário de cinco anos, resolvi fazer um luau e saí pelo jardim da minha casa de praia cortando folha de bananeira, pegando abacaxi e fazendo drinks dentro do próprio abacaxi. Sempre fui apaixonada por gastronomia e gestão de empresas. Depois mergulhei no mundo dos vinhos e hoje não consigo me imaginar em outra área”, comenta.

Crescendo com a cidade

Brasília, que completou 62 anos na quinta-feira (21), se destaca pela arquitetura moderna, espaço planejado e variedade cultural. A capital federal tem crescido exponencialmente como uma região aberta para eventos, especialmente no âmbito gastronômico. Entretanto, quando surgiu, a dificuldade de gerir um negócio também era impactada com empecilhos físicos.

“Lembro que quando comecei a trabalhar com gastronomia há 30 anos, a gente tinha um déficit de fornecimento e de ingredientes, como peixes especiais e alguns tipos de hortaliças e frutas. Meu trabalho foi crescendo junto com o desenvolvimento da cidade. A gente viu, nos últimos anos, o empreendedorismo e o incentivo ao empreendedorismo feminino crescendo demais. Foram criadas projetos e câmaras como a da Fecomércio-DF, da qual eu faço parte, que é presidida pela Beatriz Guimarães, uma mulher incansável em busca de oportunidades e melhores condições para mulheres empreenderem. Atualmente, Brasília é uma cidade muito aberta para o empreendedorismo feminino”, diz Renata.

Quebrando tabu

Dados do Sebrae e da Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM) indicam que dos 52 milhões de empreendedores no Brasil, 30 milhões são mulheres. O valor, considerado expressivo para o país, nem sempre foi robusto. Em Brasília, essa realidade não era diferente. A chef e empresária relembra da época que começou, na década de 1990. Apesar da promessa de crescimento da cidade, o público feminino teve dificuldades para conquistar o seu espaço no mercado de trabalho, especialmente para empreender.

“Não se falava sobre o empreendedorismo feminino e as barreiras específicas para as mulheres empreenderem. Todos sabem das dificuldades adicionais que existem como acesso a crédito mais caro e preconceitos. A gente está lutando para mudar essa realidade e construir um ambiente mais propício para o empreendedorismo feminino”, reforça Renata.

Entretanto, apesar dos desafios, empreender é um caminho para a liberdade financeira da mulher, segundo a empresária e dona do Renata La Porta Buffet e do La Porta Em Casa. Para entrar nessa aventura, a profissional aconselha:

  • Aprender sobre gestão financeira e fluxo de caixa;
  • Ter muita resiliência e força de vontade – desistir não é opção;
  • Fazer diferente: Colocar muita energia e personalidade na empresa para descobrir seu próprio nicho e produtos únicos.

Se houver medo de se arriscar, ela destaca que “medo faz parte, o importante é superar e ir construindo com determinação e muita criatividade. Sempre há espaço para empresas bacanas, que possuem a energia das donas”.

Superando a pandemia

O La Porta Em Casa, segunda marca da empresária, surgiu em 2015 após Renata estudar as tendências mundiais de food service. Por conta da prioridade aos eventos, o crescimento da segunda marca se deu de forma tímida. Diante da pandemia e com as pessoas em casa, Renata conta que estava pronta para o boom de pedidos. “Foi a nossa salvação, da noite para o dia passamos de 25 eventos por semana para nenhum. Viramos todos La Porta Em Casa e deu super certo, uma prova de que inovação e melhoria dos nossos processos devem ser sempre prioridade. Hoje as duas marcas seguem crescendo de forma consistente.”

Projeto social

Apesar do cenário do mercado de trabalho estar mudando e ser mais aberto para o público feminino, ainda há muita dificuldade para imergir no meio empreendedor. Por isso, Renata aposta em um projeto social para conseguir realizar a inclusão de mulheres que possuem vulnerabilidades sociais. Para ela, a única forma de uma mulher sair do seu lugar de risco é com a renda própria. Apenas no Distrito Federal, o GDF atende 323.186 mulheres inscritas no Cadastro Único, ferramenta de apoio à formulação e à implementação de políticas públicas capazes de promover a melhoria de vida de famílias de baixa renda.

“A minha missão é ajudar mulheres a empreender. Quando eu vou dar um curso, eu nunca ensino apenas uma receita. Na verdade, faço um ‘mini-curso’ de empreendedorismo mesmo. Dou noções de gestão financeira, criatividade no negócio, apresentação pessoal, técnicas de venda e noções de higiene. Por mais simples que seja o produto, ensino a trabalhar com ética e colocar muito capricho e amor, porque é isso que faz o cliente voltar”, explica.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

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